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10 de Setembro de 2026 - 
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Instituto de produtora de ‘Dark Horse’ usou emendas de Mario Frias para comprar quimonos, uniformes e tatames não entregues para projeto esportivo em SP

Ação sobre 'Dark Horse' mostra desvio no destino de emendas parlamentares O Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, recebeu R$ 2 milhões de duas emendas parlamentares do deputado federal Mario Frias (PL-SP) para executar projetos de educação digital e esportes de combate. Os repasses estão no centro da investigação que levou a Polícia Federal a fazer buscas contra o parlamentar, a empresária e fornecedores nesta quinta-feira (10). Os recursos foram transferidos pelos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e do Esporte. Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as buscas, auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram problemas nas contratações, na fiscalização e na comprovação das entregas. Os dois projetos são: Jovem Empreendedor: recebeu R$ 1 milhão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em 17 de fevereiro de 2025, para desenvolver materiais educativos e capacitar multiplicadores para trabalhar com crianças de escolas públicas. A execução estava prevista em Pirassununga, no interior de São Paulo.Lutando pela Vida: recebeu R$ 1 milhão do Ministério do Esporte, em 29 de outubro de 2025, para oferecer atividades de esportes de combate a 500 beneficiários também em Pirassununga (SP). Os comprovantes do Portal da Transparência identificam o Instituto Conhecer Brasil como destinatário dos dois pagamentos. A decisão do STF confirma que ambos tiveram origem em emendas de Frias. Educação digital: pagamentos concluídos e atividades pendentes O projeto Jovem Empreendedor previa a produção de materiais físicos e digitais e a formação de adultos e adolescentes para atuar como multiplicadores. O público previsto era de 250 multiplicadores e 2.250 estudantes do 4º e do 5º anos do ensino fundamental. Veja os pagamentos: Dinâmica Editora e Distribuidora de Livros: R$ 400 mil para kits de material pedagógico físico;Instituto Super Poder Educacional: R$ 300 mil para construção do kit pedagógico digital;MTS Assessoria e Consultoria: R$ 150 mil para manutenção da plataforma;LF&P Consulting Apoio Administrativo: R$ 80 mil, sendo R$ 50 mil para serviço jurídico e R$ 30 mil para contabilidade e apoio administrativo;Marcelo Machado 7 Comunica: R$ 50 mil para pulgação;Projetus: R$ 20 mil para consultoria. As cinco primeiras receberam, juntas, R$ 980 mil. A Projetus não aparece na relação de pessoas e empresas contra as quais foram autorizadas buscas. Os pagamentos foram concluídos em fevereiro de 2026. Em relatório datado de 25 de maio daquele ano, porém, o instituto informou que ainda faltavam o treinamento operacional, a organização das turmas e a execução das atividades educativas. No documento, a entidade declarou ter concluído a produção de 2.500 kits físicos, implantado a plataforma digital e preparado o conteúdo pedagógico. Apresentou fotografias de materiais e telas da plataforma, mas informou que os comprovantes das atividades com as turmas seriam apresentados posteriormente. O relatório atribuiu as pendências à necessidade de compatibilizar o cronograma com o calendário escolar e organizar as atividades com escolas e famílias. 2 de 3 Caixas de materiais pedagógicos em imagem apresentada pelo Instituto Conhecer Brasil no relatório do projeto Jovem Empreendedor. — Foto: Instituto Conhecer Brasil/Reprodução/Transfergov A vigência do projeto terminou em 11 de janeiro de 2026. Segundo a decisão do STF, o instituto pediu mais 12 meses de prazo em 28 de maio, depois do encerramento. A CGU apontou que, nesse pedido, a entidade reconheceu que ainda precisava articular a participação de escolas, mobilizar famílias, preparar espaços e realizar o atendimento das crianças. "Após o encerramento da vigência e do prazo para prestação de contas, o MCTI, em 18/05/2026, cobrou a apresentação da documentação pertinente. Em 28/05/2026, o ICB solicitou a prorrogação do Termo por mais 12 meses, alegando necessidade de ampliar atividades relacionadas ao projeto. Consoante registra o Relatório de Apuração n.º 2007711, “no próprio pedido, o ICB informou que ainda seriam necessárias a articulação com unidades escolares, a organização das atividades no contraturno, a mobilização das famílias, a preparação dos espaços, a atuação dos multiplicadores e o atendimento das crianças”, asseverando que “a manifestação da entidade confirma, portanto, que não haviam sido capacitados os 250 multiplicadores nem atendidos os 2.250 estudantes previstos”", aponta a decisão. O MCTI negou a prorrogação em 2 de junho, porque a vigência já havia expirado. Em 9 de julho, a pasta emitiu parecer técnico pela rejeição das contas, por considerar que o objeto da parceria não havia sido cumprido. O instituto foi notificado no dia seguinte e recebeu 30 dias para apresentar defesa e documentos complementares, conforme a decisão. Aulas de luta: materiais pagos sem comprovação suficiente de entrega O projeto Lutando pela Vida previa atividades de esportes de combate para 500 beneficiários, distribuídos em dois núcleos de Pirassununga (SP). O termo tinha valor total de R$ 1.499.949, mas o montante efetivamente liberado ao instituto foi de R$ 1 milhão. A decisão registra vigência até 28 de agosto de 2027. A principal contratação apontada pela auditoria foi a da Pulsa Uniformes e Camisetas Personalizadas, por R$ 457.818,78. A nota fiscal abrangia 16 itens, entre eles quimonos, faixas, uniformes e 120 placas de tatame. Segundo a CGU, o pagamento foi feito integralmente em 26 de maio de 2026, sem comprovação contemporânea da entrega dos bens. Em julho, a fornecedora informou aos auditores que os materiais ainda estavam em fabricação e que nenhum dos itens faturados havia sido entregue. "No caso do ICB, a aquisição supostamente foi comprovada por meio da Nota Fiscal nº 575, que “abrangia 16 itens, entre eles quimonos, faixas, uniformes e 120 placas de tatame”, e foi paga integralmente em 26.05.2026 “embora o canhoto de recebimento não estivesse preenchido e não houvesse comprovação contemporânea da entrega dos bens.” A CGU destaca que tanto em resposta à circularização realizada em 03 de julho de 2026, como por ocasião da inspeção realizada em 06 de julho de 2026, a Pulsa Uniformes teria negado a entrega de qualquer dos itens faturados, aduzindo que eles permaneciam em fabricação", detalha a decisão. Os auditores encontraram placas de tatame nos locais visitados, mas identificaram uma segunda compra de 120 unidades, feita pelo instituto com outro fornecedor por R$ 58.800. Segundo a CGU, não havia controles que permitissem vincular os materiais encontrados à nota da Pulsa. Por isso, a auditoria concluiu que o pagamento de R$ 457,8 mil não tinha comprovação suficiente da entrega dos produtos faturados. Comprovação das aulas também foi questionada A CGU apontou que seis prestadores responsáveis por coordenação, instrução, monitoria e acompanhamento de educação física receberam R$ 94.564,55 entre março e julho de 2026. Segundo a auditoria, o instituto não apresentou: “Listas mensais assinadas, relatórios inpidualizados ou outros registros independentes que relacionassem os pagamentos às aulas, às turmas e às cargas horárias efetivamente realizadas”. A entidade entregou fichas de matrícula, planilhas de frequência, fotografias e relatório parcial. Os auditores consideraram o material insuficiente: as fichas demonstravam inscrições, e as planilhas de frequência não tinham assinatura dos beneficiários. Investigação sobre recursos públicos 3 de 3 Karina Gama, produtora do filme 'Dark Horse', e o deputado Mario Frias (PL-SP) são alvos de ação da Polícia Federal, que cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10). — Foto: Reprodução e Câmara dos Deputados A suspeita é que recursos públicos tenham sido direcionados a empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação dos serviços. Os fatos estão sob investigação. A frente supervisionada por Flávio Dino trata do possível uso irregular de dinheiro público destinado a entidades e empresas ligadas à produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL).
10/09/2026 (00:00)
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