PT pede ao STF fim do sigilo de investigações do caso Master
1 de 1
Petições do PT foram endereçadas aos ministros do STF André Mendonça e Flávio Dino, que conduzem investigações diferentes relacionadas ao Caso Master. — Foto: Reprodução O PT pediu nesta quarta-feira (9) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que derrube integralmente o sigilo das investigações sobre o banco Master que ainda estão sob segredo de justiça. O partido argumenta que "vazamentos seletivos" de informações afetam o debate eleitoral. As petições foram direcionadas aos ministros André Mendonça e Flávio Dino, responsáveis por supervisionar inquéritos que investigam negócios do Master, do ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro. Nesta quinta (10), Dino autorizou uma operação da Polícia Federal com 49 mandados de busca e apreensão na investigação que trata de suspeitas de desvios e uso irregular de emendas parlamentares enviadas a entidades ligadas a Karina da Gama, produtora do filme "Dark Horse", sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Karina e o deputado federal Mário Frias (PL-SP) foram alvo de buscas. É parte dessa investigação o relatório da PF que expõe as relações entre Vorcaro, que está preso, e o ministro Alexandre de Moraes. Esse documento veio a público na semana passada, por decisão de André Mendonça. Outra frente das apurações também trata do financiamento de "Dark Horse", já que Vorcaro repassou ao menos R$ 61 milhões para o projeto a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Vazamentos seletivos e 'publicidade em mosaico' No pedido enviado ao Supremo, os advogados do PT sustentam que o segredo de justiça no caso tem provocado "vazamentos seletivos" e gerado uma "publicidade em mosaico", na qual apenas trechos descontextualizados vêm a público, afetando a neutralidade do processo eleitoral. "O sigilo remanescente produz exatamente esse desequilíbrio. Cria classes de competidores: quem tem acesso aos autos conhece o conjunto; os demais conhecem o que a imprensa publica. Transfere a terceiros a decisão sobre o que o eleitor saberá e quando o saberá, no momento de maior rendimento eleitoral. E impede a resposta, porque o candidato ou partido mencionado em um fragmento não pode contrapor o contexto que permanece reservado", afirma o partido. Os advogados do PT pedem que as investigações sob a relatoria de Mendonça venham à tona. "São públicos os feitos incidentais mais recentes e os documentos deles desentranhados; permanecem sigilosos os autos principais, que contêm o contexto. É sobre esses recortes – e sobre o que deles vaza – que se constrói, a menos de um mês do primeiro turno, o debate eleitoral", diz o partido.